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O
tema "Drogas Anabolizantes" parece ser o que mais desperta
interesse entre os iniciantes na musculação, talvez
por existir a noção popular de que as drogas são
as responsáveis pela grande massa muscular dos campeões
de culturismo. Este conceito é reforçado pelo grande
número de esportistas que utilizam drogas para aumentar a massa
muscular, pela freqüente constatação de que as
drogas realmente parecem eficazes para estimular o aumento da musculatura,
e pelo fato de que os atuais campeões de culturismo são
mais musculosos do que os atletas do passado. As declarações
dos inimigos da musculação, muitas vezes na mídia,
também contribuem muito para a popularização
do conceito de que a drogas são indispensáveis para
os atletas. Talvez por que a ginástica com pesos não
pode mais ser acusada de prejudicar o desempenho atlético,
afetar o coração, diminuir a potência sexual ou
impedir o crescimento dos adolescentes, o uso de drogas passou a ser
utilizado para desprestigiar os atletas musculosos. Vejamos algumas
situações que colocam em dúvida o conceito de
que "as drogas são necessárias para o grande desenvolvimento
muscular": |
1 - Como se explicam os inúmeros casos de esportistas que
utilizam drogas, treinam corretamente, alimentam-se bem e não
conseguem grande massa muscular?
2 - Se as drogas são realmente as responsáveis pela
grande massa muscular dos campeões de culturismo por que as
academias não estão cheias de campeões?
3 - O que dizer de muitos esportistas e alguns campeões de
culturismo com grande massa muscular que afirmam não utilizar
drogas?
4 - Como explicar marcas ainda hoje respeitáveis como, por
exemplo, 230 kg de supino e 50 cm de braço, com pouca gordura,
conseguidas por alguns atletas antes de surgirem os anabolizantes?
Existe atualmente uma hipótese sugerida por vários
trabalhos científicos que, se confirmada, explicará
todas estas situações: o volume máximo depende
basicamente do número de fibras musculares com o qual a pessoa
nasceu. Os estímulos ambientais de treinamento, alimentação
e, eventualmente, drogas, apenas fazem com que as fibras existentes
aumentem de volume. Caso a pessoa possua muitas fibras, terá
grandes músculos.
Existe documentação de que os campeões de culturismo
possuem muitas fibras e que, mesmo nestes atletas, o volume das fibras
não parece ser maio do que em atletas não campeões.
Tudo leva a crer que as fibras corretamente estimuladas possam crescer
apenas até um limite máximo imposto pela natureza, acima
do qual não é possível manter a vida das células.
Assim sendo, o maior volume muscular será o do atleta com mais
fibras.
O papel das drogas anabolizantes parece restringir-se a facilitar
o aumento de volume das fibras musculares existentes. Estas drogas
estimulam o anabolismo, que é o processo de síntese
de matéria no organismo. Durante os exercícios ocorre
desgaste muscular, que é um exemplo de catabolismo, ou seja,
perda de matéria pelo organismo. Assim sendo, durante os exercícios
os músculos perdem volume e ficam tão menores quanto
maior for o desgaste do treinamento. O anabolismo é o responsável
pela recuperação e crescimento dos músculos após
o treinamento. Todas a pessoas possuem capacidade anabólica
natural que, no entanto, é variável entre os indivíduos.
Quando o anabolismo for maior do que o catabolismo dos exercícios,
ocorrerá aumento da massa muscular; quando for igual, ocorrerá
recuperação do organismo, mas sem aumento de musculatura;
quando for menor, haverá perda de massa muscular e os conhecidos
sintomas de excesso de treinamento: desânimo, irritabilidade,
insônia, taquicardia e outros.
A situação mais freqüente é a da pessoa
treinar e alimentar-se bem, mas não conseguir aumentar a massa
muscular, sem, no entanto, apresentar sintomas de excesso de treinamento.
Em casos como esse, o uso de drogas anabolizantes resolve o problema
e ajuda a divulgar a noção de que as drogas são
indispensáveis. No entanto, existe uma solução
alternativa que é a redução do catabolismo. O
resultado será igual ao das drogas: mais anabolismo do que
catabolismo, com conseqüente aumento da massa muscular. Esta
receita para aumento de músculos não é nova:
antes de surgirem os anabolizantes só se conseguia aumentar
a massa muscular treinando-se com pouco desgaste, mantendo o catabolismo
abaixo da capacidade anabólica natural da pessoa. Treinar com
pouco desgaste não significa treinar sem intensidade, pois,
neste caso, estaríamos diminuindo os estímulos para
o crescimento dos músculos.
O necessário é treinar com pequenos volumes de treinamento,
ou seja, estímulos de alta qualidade, porém em pequena
quantidade. Não é por acaso que a grande evolução
nos métodos de treinamento nos últimos anos tem sido
a popularização dos métodos de pouco volume.
Resumindo: é possível aumentar a massa muscular sem
drogas anabolizantes, mas é necessário treinar pouco.
Com ou sem drogas, grandes volumes musculares são possíveis
apenas para quem nasceu com muitas fibras nos músculos.
O campeão de musculação é, portanto, um
fenômeno genético, como também ocorre com os campeões
de todas as modalidades esportivas. Treinamento, nutrição
e drogas atuam sempre sobre uma importante base genética. Atualmente
existem atletas com maior nível técnico em todas as
modalidades esportivas e o fator que melhor explica este fato é
o maior número de praticantes, aumentando assim a possibilidade
de surgirem os valores genéticos. Embora esteja esclarecido
que as drogas não formam campeões e que existem alternativas
para o seu uso, o caminho das drogas ainda é muito utilizado
por atletas de muitas modalidades esportivas. Para isso contribuem:
a desinformação dos técnicos que preconizam treinamento
exaustivo, a atuação de pessoas que lucram com a comercialização
de drogas e as opiniões de pessoas por estas "iludidas".
Costuma-se ser divulgado que a maneira correta de uso impede os efeitos
colaterais, mas não existem maneiras seguras de se utilizar
drogas. Quanto menores as doses, menores os riscos e menores os efeitos
- e as chamadas "drogas protetoras" apenas aumentam a possibilidade
de efeitos colaterais. O fator que mais contribui para o aparecimento
dos efeitos colaterais é a predisposição genética
das pessoas. As drogas colocam o indivíduo em um grupo de risco
para determinadas doenças que ocorrerão ou não
dependendo de sua predisposição hereditária para
estas doenças.
Matéria por Prof. Dr. José Maria Santarém
- extraída da Revista Muscle in Form
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