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Há
muito tempo, o conhecimento popular identificou o grande valor
nutritivo dos ovos. A sua fácil digestão, a confirmação
de suas qualidades nutricionais e o baixo preço fizeram
com que os ovos fossem empregados habitualmente na alimentação
de pessoas de todas as idades.
Mesmo
quando ingeridos inteiros, o conteúdo calórico
relativamente baixo dos ovos, semelhante ao da carne magra,
justifica o seu emprego na alimentação de pessoas
obesas. Quando apenas as claras são utilizadas, o conteúdo
calórico passa a ser extremamente baixo, embora o valor
nutritivo diminua muito.
Mais
de 70% do peso de um ovo é água, sendo que no
caso da clara isolada o conteúdo é quase 90%.
Um ovo apresenta em média 81,5 calorias. Os ovos são
excelente fonte de proteínas de alta qualidade. Cada
ovo inteiro apresenta 7 gramas de proteínas, sendo
aproximadamente 4 gramas na clara e 3 gramas na gema.
A
gordura da gema dos ovos é insaturada, apresentando
efeitos protetores com relação à artereosclerose
. Por outro lado, na gema existe o colesterol, cuja influência
na arterogênese será discutida posteriormente.
Carboidratos
e fibras não participam da composição
dos ovos, ilustrando a importância da variedade de alimentos
para uma boa nutrição. As vitaminas liposolúveis
A, D, E e K estão presentes em grandes quantidades
nos ovos, assim como as vitaminas do complexo B, incluindo
a B12. A vitamina C não está presente nos ovos.
Com relação aos minerais e eletrólitos,
os ovos são pobres em cálcio, mas excelente
fonte de fósforo, ferro e magnésio. O sódio
e potássio encontram-se em boas quantidades, principalmente
na clara.
O
consumo de ovos, às vezes, é criticado com o
argumento de que o colesterol presente na gema pode ser prejudicial
à saúde, estimulando a artereosclerose. Alguns
aspectos devem ser esclarecidos. Quantidades de colesterol
no sangue acima de 220mg% estão estatisticamente relacionadas
com a maior incidência de artereosclerose. O colesterol,
no entanto, tem funções tão importantes,
que o organismo possui um complexo sistema de síntese
desta substância. Entre a funções do colesterol
está a síntese de testosterona, o hormônio
anabolizante natural do organismo, que é estimulado
pelos exercícios com pesos. Quando aumenta a ingestão
de colesterol na alimentação, o organismo diminui
a síntese, regulando as quantidades no sangue.
Pessoas
geneticamente predispostas à artereosclerose apresentam
síntese aumentada de colesterol e, mesmo sem a ingestão,
apresentam altos níveis sanguíneos dessa substância.
Além da predisposição genética,
outros fatores aumentam o risco da artereosclerose e suas
conseqüências. Tal é o caso do consumo de
gorduras saturadas (o colesterol não é uma gordura
e as gorduras dos ovos são insaturadas) da hipertensão
arterial, do fumo, do stress emocional do uso de anabolizantes
esteróides e anti-concepcionais. Para adotar uma conduta
prática para a ingestão de ovos inteiros, sem
procupações com todos os aspectos teóricos
da arterogênese, só existe uma maneira: a dosagem
do colesterol no sangue. Desde que os níveis de colesterol
se mantenham abaixo de 220mg%, não há limites
justificáveis para a ingestão de ovos inteiros.
O
consumo das claras dos ovos, isoladamente, só se justifica
quando as pessoas apresentam níveis elevados de colesterol
no sangue, e nos curtos períodos de dieta para a redução
máxima da gordura corporal. Por várias razões,
as claras nunca devem ser ingeridas sem cozimento, o que também
se aplica para as gemas. Um dos motivos para o cozimento é
a eliminação de salmonelas, micro-organismos
que, com alguma freqüência, contaminam os ovos
e podem causar diarréias graves, às vezes fatais.
Outra razão é a inativação de
fatores inibidores da atividade da tripsina, presentes nos
ovos crus. A tripsina é uma enzima proteolítica
produzida no pâncreas, e sua inibição
pode levar à absorção de proteínas
mal digeridas, produzindo efeitos indesejáveis como
alergias, diarréia e o que é mais importante
para atletas, a perda de proteínas do sangue pela urina,
levando ao balanço nitrogenado negativo e perda de
massa muscular. O cozimento também inativa a avidina
dos ovos crus, que é um inibidor da biotina, importante
vitamina do complexo B. Este efeito benéfico do cozimento
é apenas adicional, visto que a avidina ingerida ativa
dificilmente levaria à uma deficiência de biotina,
presente na gema e em outros alimentos.
Como
vimos, os ovos constituem em excelente alimento para todas
as pessoas, em particular para esportista e atletas. Caso
a indústria produzisse um complemento alimentar com
as mesmas características dos ovos, seria certamente
um campeão de vendas.
Matéria
por Prof. José Maria Santarém - extraída
da Revista Muscle in Form Edição 4/96.
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